Especial Ayrton Senna e os carros que ele teve
Quando se fala em Ayrton Senna e automóveis, é quase inevitável pensar primeiro nos monopostos da Lotus, McLaren e Williams. Fora das pistas, porém, o tricampeão mundial também teve uma relação muito próxima com carros de rua — e sua garagem ajuda a contar uma parte menos conhecida de sua trajetória.
Os carros de Ayrton Senna iam de modelos brasileiros relativamente acessíveis, usados antes da fama, a esportivos que hoje estão entre os clássicos mais desejados do mundo. Ford Corcel II, Volkswagen Passat TS, Ford Escort XR3, Mercedes-Benz, Porsche 911, Honda NSX e Audi S4 Avant aparecem em diferentes momentos dessa história.
E há um detalhe importante: nem todo automóvel dirigido por Senna pertenceu efetivamente a ele. Alguns eram cedidos por fabricantes, outros ficavam disponíveis para seu uso na Europa e determinados exemplares estavam registrados em nome de pessoas próximas.
Por isso, conhecer a verdadeira coleção de carros de Ayrton Senna exige separar propriedade, cessão de uso, carros de publicidade e automóveis simplesmente pilotados pelo brasileiro.
Antes dos supercarros: os primeiros carros de Ayrton Senna
Muito antes dos títulos mundiais e dos contratos milionários da Fórmula 1, Ayrton já demonstrava interesse por automóveis.
Um dos relatos mais importantes sobre esse período vem de Leonardo Senna, irmão do piloto. Segundo ele, o primeiro carro de Ayrton foi um Ford Corcel II bastante personalizado.
Ford Corcel II: o primeiro carro de Senna
O Corcel II de Senna estava longe de permanecer exatamente como havia saído da concessionária.
Ayrton modificou diversos elementos do carro para deixá-lo com aparência mais esportiva. Peças originalmente cromadas foram pintadas de preto, a suspensão foi rebaixada e o automóvel recebeu teto solar de lona e vidros verdes.
Era esse o carro utilizado por Ayrton e Leonardo em seus deslocamentos para o Colégio Rio Branco, em São Paulo, quando Ayrton tinha cerca de 18 anos.
A história é interessante porque mostra que o interesse de Senna pelo comportamento e pela aparência dos automóveis existia antes mesmo de sua fama internacional.
O Corcel II daquele período utilizava a conhecida arquitetura mecânica derivada do projeto Renault que deu origem ao Corcel brasileiro. Dependendo do ano e da versão, existiam diferenças de motorização e acabamento. Como não há documentação pública suficiente identificando com segurança todas as especificações da unidade de Senna, não é correto atribuir uma ficha técnica exata ao carro.
Ford Belina: praticidade antes da carreira internacional
Depois do Corcel, Ayrton também teve uma Ford Belina.
A informação chama atenção quando observada junto a escolhas que ele faria anos depois. Senna demonstraria novamente preferência por carros com maior capacidade para bagagem, especialmente peruas.
A Belina era justamente a station wagon derivada da família Corcel. Na época, oferecia uma combinação bastante valorizada no Brasil: mecânica relativamente simples e espaço interno consideravelmente maior que o de um sedã ou cupê compacto.
Décadas antes de Audi S4 Avant e Mercedes-Benz 300 TE entrarem em sua vida, portanto, uma perua já havia ocupado a garagem do futuro tricampeão.
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Volkswagen Passat TS: um dos esportivos nacionais de sua juventude
Outro integrante confirmado entre os primeiros carros que Ayrton Senna teve foi o Volkswagen Passat TS.
A versão TS ocupava posição esportiva dentro da família Passat brasileira e tornou-se um dos automóveis nacionais de desempenho mais lembrados do fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Seu motor dianteiro refrigerado a água, combinado à tração dianteira, representava uma concepção bastante diferente daquela encontrada no Corcel.
O Passat fez parte da vida de Ayrton antes de sua mudança para a Inglaterra, onde sua carreira internacional começou a ganhar força.
Ford Escort XR3: o carro que acompanhou Senna antes da fama mundial
Poucos carros nacionais ficaram visualmente tão ligados ao jovem Ayrton Senna quanto o Ford Escort XR3.
A relação começou enquanto o piloto ainda construía sua carreira na Europa. Senna havia procurado a Ford no Brasil antes de competir na Fórmula Ford inglesa e, posteriormente, aproximou-se novamente da empresa.
Em 1983, participou de publicidade do Corcel II. No ano seguinte, tornou-se uma das figuras utilizadas pela Ford na divulgação do Escort XR3.
O famoso comercial do esportivo terminava com Senna afirmando que também tinha um exemplar.
E, de fato, ele utilizou mais de um.
Senna teve três Escort XR3
Segundo Leonardo Senna, Ayrton utilizou três configurações diferentes do Escort XR3: um hatch preto, outro prata e um conversível vermelho.
Aqui existe uma distinção importante para quem pesquisa os carros do Senna.
Pelo menos o conhecido XR3 prata utilizado pelo piloto estava cedido em regime de comodato pela Ford. Portanto, embora seja frequentemente chamado de “carro de Senna”, não se tratava necessariamente de um automóvel adquirido e registrado por ele.
O exemplar prata aparece em fotografias históricas de Ayrton em frente ao seu escritório na Zona Norte de São Paulo.
Os Escort ficaram ligados ao piloto aproximadamente durante a metade da década de 1980 e posteriormente foram devolvidos à fabricante.
O paradeiro exato desses exemplares históricos não é conhecido publicamente com segurança.
Mercedes-Benz 190 E 2.3-16: ligação que nasceu em Nürburgring
Entre os automóveis europeus associados a Ayrton, o Mercedes-Benz 190 E 2.3-16 ocupa um lugar especial.
A história começou em 12 de maio de 1984, na inauguração do novo circuito de Nürburgring.
A Mercedes-Benz organizou uma corrida promocional utilizando unidades praticamente idênticas do recém-lançado 190 E 2.3-16. O grid reunia grandes nomes do automobilismo internacional, incluindo Niki Lauda, Alain Prost, James Hunt, Keke Rosberg, Jack Brabham e vários campeões mundiais.
Senna ainda estava em sua primeira temporada de Fórmula 1.
E venceu a corrida.
A apresentação ajudou a consolidar internacionalmente a reputação do jovem brasileiro e criou uma ligação particular entre Senna e o sedã esportivo alemão.
Senna comprou seu próprio 190 E 2.3-16
Posteriormente, Ayrton adquiriu um Mercedes-Benz 190 E 2.3-16 para uso pessoal no Reino Unido.
O carro utilizava motor 2,3 litros de quatro cilindros e 16 válvulas desenvolvido com participação da Cosworth, combinado a câmbio manual de cinco marchas.
A configuração europeia original entregava aproximadamente 185 cv, embora números possam variar conforme mercado e sistema de medição utilizado.
Mais importante que sua potência absoluta era o conjunto. Cabeçote multiválvulas, suspensão independente e acerto voltado ao desempenho transformaram o 190 E 2.3-16 em uma das referências entre os sedãs esportivos europeus da década.
O exemplar pessoal de Senna sobreviveu. Décadas depois, apareceu documentado no mercado de automóveis clássicos, acompanhado de registros relacionados à sua procedência.
É fundamental não confundi-lo com o 190 E que Senna pilotou na famosa corrida de Nürburgring: são automóveis diferentes.
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Porsche 911 Carrera Cabriolet: o esportivo de Senna em Portugal
Outro integrante especialmente interessante dessa história é um Porsche 911 Carrera Cabriolet de 1987.
O carro ficava em Portugal e estava ligado a Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, empresário e amigo próximo de Ayrton.
Devido às restrições da época envolvendo o registro do automóvel por um estrangeiro, o Porsche ficou oficialmente registrado em nome de Braguinha. Há, porém, documentação e histórico indicando seu uso por Senna durante suas permanências em Portugal.
Tratava-se de um 911 Carrera Cabriolet da geração conhecida pelos entusiastas como G-Series.
Seu motor boxer de seis cilindros, refrigerado a ar, tinha 3,2 litros. Dependendo da especificação de mercado, a potência dessa geração fica na faixa de aproximadamente 217 cv.
O câmbio era manual de cinco marchas.
O Porsche foi modificado depois
A trajetória do carro não terminou quando deixou de ser utilizado por Senna.
Em determinado momento, o 911 recebeu modificações na carroceria e chegou a ser pintado de amarelo, numa associação visual às cores do capacete do piloto.
Décadas depois, passou por um processo de restauração para recuperar características mais próximas da configuração original.
Há ainda um detalhe excepcional de procedência: o carro conserva uma assinatura atribuída a Ayrton Senna em seu interior.
Em 2025, esse Porsche voltou a chamar atenção ao ser oferecido em leilão em Portugal.
É um dos melhores exemplos de como a procedência relacionada a Senna transformou automóveis que já seriam colecionáveis por natureza em peças de interesse histórico.
Mercedes-Benz 300 TE: a paixão de Senna pelas peruas
Uma escolha menos óbvia entre os carros de Ayrton Senna foi a Mercedes-Benz 300 TE.
A station wagon fazia parte da família W124, uma das linhagens mais importantes da história moderna da Mercedes-Benz.
Senna gostava particularmente desse tipo de carro.
O motivo era bastante prático: além de apreciar automóveis de alto desempenho, Ayrton era entusiasta do aeromodelismo e precisava transportar seus aviões de controle remoto.
O grande porta-malas das peruas atendia perfeitamente a essa necessidade.
A 300 TE utilizava motor de seis cilindros em linha e combinava bom desempenho com amplo espaço interno. Como existem diferentes configurações e anos do modelo, e a documentação pública sobre a unidade específica utilizada por Senna é limitada, não é prudente atribuir números exatos de potência ao exemplar sem identificar seu ano e especificação.
Essa preferência por station wagons reapareceria de forma ainda mais marcante pouco antes de sua morte.
Honda NSX: muito mais do que um carro da garagem de Senna
Entre todos os Ayrton Senna clássicos, poucos têm uma ligação técnica tão profunda com o piloto quanto o Honda NSX.
Senna não foi apenas proprietário ou usuário do esportivo.
Ele participou de seu desenvolvimento.
No final dos anos 1980, Honda e McLaren viviam uma das parcerias mais bem-sucedidas da história da Fórmula 1. Aproveitando a presença de Ayrton no Japão para testes da McLaren, engenheiros da Honda pediram que ele avaliasse o protótipo do novo esportivo.
Em fevereiro de 1989, Senna dirigiu o carro em Suzuka.
Sua avaliação foi extremamente importante.
Embora reconhecesse estar julgando um automóvel de produção, Senna percebeu que a estrutura parecia pouco rígida para o nível de desempenho pretendido.
A Honda levou a observação a sério.
Os engenheiros elevaram a meta de rigidez estrutural e intensificaram os testes, incluindo trabalhos em Nürburgring.
Essa participação está documentada pela própria Honda e é um dos exemplos mais concretos da influência de um piloto de Fórmula 1 sobre o desenvolvimento de um carro de produção.
O que havia de especial no primeiro Honda NSX?
O NSX representava uma revolução para a indústria japonesa.
Sua estrutura e carroceria utilizavam extensivamente alumínio, solução incomum em automóveis de produção naquele período.
O motor ficava em posição central, atrás dos ocupantes, enquanto a tração era traseira.
O V6 3.0 aspirado utilizava quatro válvulas por cilindro e tecnologia VTEC. Nas versões iniciais com câmbio manual, a potência declarada ficava próxima dos 274 cv em especificações internacionais, com pequenas diferenças conforme mercado e metodologia de medição.
O câmbio manual tinha cinco marchas.
A combinação de baixo peso, equilíbrio, posição de dirigir e facilidade de utilização fez do NSX uma proposta diferente entre os superesportivos de sua época.
Quantos Honda NSX Senna utilizou?
Este é um dos pontos nos quais publicações frequentemente simplificam demais a história.
Há evidências consistentes da utilização de pelo menos três NSX associados a Ayrton em diferentes circunstâncias.
No Brasil, o mais famoso é o exemplar preto com placa BSS-8888.
As letras são associadas a “Beco Senna da Silva”, enquanto os números remetem a 1988, ano de seu primeiro campeonato mundial.
O carro brasileiro continua fortemente ligado ao acervo da família Senna.
Em Portugal, Ayrton também utilizava um NSX vermelho, matrícula SX-25-59, disponibilizado pela Honda Automóveis de Portugal. Registros da fabricante confirmam que o carro foi matriculado em março de 1991 e colocado à disposição do piloto durante suas permanências no país.
Existem ainda registros de outro NSX preto ligado a Braguinha e utilizado por Ayrton em Portugal.
Portanto, dizer simplesmente que Senna “teve três NSX” pode esconder uma diferença importante: nem todos necessariamente eram propriedade pessoal registrada do piloto. Alguns foram disponibilizados para seu uso.
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O NSX preto brasileiro era realmente um NSX-R?
Há uma inconsistência recorrente em reportagens sobre o assunto.
Algumas publicações brasileiras identificam o conhecido NSX preto BSS-8888 como NSX Type R ou NSX-R. Outras fontes especializadas e registros sobre o automóvel o identificam como um NSX convencional da primeira geração, inclusive com histórico de importação norte-americana.
A cronologia também exige cuidado, pois o NSX-R foi apresentado no Japão posteriormente aos primeiros NSX associados a Senna.
Sem documentação definitiva demonstrando que o BSS-8888 saiu de fábrica como NSX-R, a classificação mais segura neste artigo é simplesmente Honda NSX.
É um detalhe importante porque a associação de Senna com o NSX-R aparece repetidamente na internet, mas não deve ser apresentada como fato incontestável.
Audi S4 Avant: um dos últimos carros de Ayrton Senna
A história da Audi no Brasil passa diretamente por Ayrton Senna.
No começo da década de 1990, o mercado brasileiro voltava a receber automóveis importados e as marcas premium enxergavam uma oportunidade de crescimento.
Senna e sua família participaram da criação da Senna Import, empresa que estabeleceu uma parceria para trazer oficialmente automóveis Audi ao país.
Em novembro de 1993, foi firmado o acordo relacionado à operação.
Um dos carros que passaram a representar essa nova fase foi justamente a Audi S4 Avant utilizada por Ayrton.
A S4 Avant unia duas características que Senna valorizava
A escolha fazia sentido.
De um lado, havia desempenho. Do outro, espaço.
A S4 Avant utilizada por Senna tinha motor V8 4.2, potência na faixa dos 280 cv, transmissão manual de seis marchas e tração integral quattro.
Era um conjunto incomum para uma perua do início dos anos 1990.
Além disso, seu compartimento de bagagem atendia novamente ao interesse de Senna pelo aeromodelismo.
A unidade ficou conhecida pela placa BSS-8855, seguindo uma lógica semelhante à utilizada no Honda NSX.
Esse Audi permaneceu com a família e foi preservado com baixíssima quilometragem, tornando-se um dos automóveis de rua mais diretamente associados aos últimos meses de vida do piloto.
Senna chegou a testar o Audi S4 em Interlagos
Existe ainda um registro particularmente interessante envolvendo Senna e o S4.
Pouco mais de dois meses antes do acidente fatal em Ímola, Ayrton participou de uma avaliação do modelo no Autódromo de Interlagos para a revista Quatro Rodas.
O teste ocorreu no início de 1994 e acabou se tornando uma das últimas avaliações de automóvel de rua feitas publicamente pelo tricampeão.
Senna destacou características como conforto, desempenho e a diversão proporcionada por automóveis de alta potência.
A ligação com a Audi, portanto, ia além de simplesmente possuir um carro da marca: Ayrton estava envolvido empresarialmente com sua implantação no mercado brasileiro.
Audi RS2 Avant e A8: os carros que Senna encomendou, mas não chegou a usar
Existe uma diferença fundamental entre carros que Ayrton Senna teve e carros que ele pretendia ter.
Segundo Leonardo Senna, Ayrton já havia solicitado dois novos Audi para seu uso no Brasil: um RS2 Avant e um A8.
Ele morreu antes de poder utilizá-los.
O caso do RS2 é especialmente interessante. Desenvolvida em colaboração entre Audi e Porsche, a RS2 Avant se tornaria uma das peruas esportivas mais importantes dos anos 1990.
Seu motor 2.2 de cinco cilindros, 20 válvulas e turbo entregava 315 cv. O sistema quattro transmitia a potência às quatro rodas.
O A8, por sua vez, representava o outro extremo: era o novo sedã de luxo da Audi, construído com forte utilização de alumínio.
Assim, embora apareçam ocasionalmente em listas da “coleção de Senna”, RS2 e A8 não devem ser tratados como carros efetivamente utilizados pelo piloto.
Foram encomendas que ele não chegou a desfrutar.
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Nem todo carro famoso dirigido por Senna fazia parte de sua coleção
Essa distinção é essencial.
Ayrton pilotou inúmeros automóveis históricos que nunca pertenceram à sua garagem.
O Mercedes-Benz 190 E 2.3-16 da corrida de Nürburgring é um exemplo. Ele venceu com aquele modelo, mas posteriormente comprou outro exemplar para uso pessoal.
Da mesma maneira, Senna participou de campanhas publicitárias e avaliações de veículos de diferentes fabricantes.
Por isso, uma lista séria da coleção de carros Ayrton Senna não pode simplesmente reunir todos os automóveis nos quais ele foi fotografado.
Os carros comprovadamente ligados ao uso pessoal de Ayrton Senna
Considerando os registros disponíveis e fazendo as ressalvas necessárias sobre carros cedidos ou registrados em nome de terceiros, é possível montar uma relação bastante consistente.
Entre eles estão:
- Ford Corcel II personalizado;
- Ford Belina;
- Volkswagen Passat TS;
- Ford Escort XR3 em diferentes configurações, incluindo carros cedidos pela Ford;
- Mercedes-Benz 190 E 2.3-16;
- Mercedes-Benz 300 TE;
- Porsche 911 Carrera Cabriolet;
- Honda NSX preto no Brasil;
- Honda NSX vermelho disponibilizado para uso em Portugal;
- outro Honda NSX preto associado ao uso de Senna em Portugal;
- Audi S4 Avant.
Audi RS2 Avant e Audi A8 também fazem parte da história, mas devem permanecer em categoria separada porque haviam sido solicitados e não chegaram a ser utilizados por Ayrton.
O que os carros de Senna revelam sobre suas preferências?
Quando os modelos são observados em ordem cronológica, surge um padrão interessante.
A garagem não era formada exclusivamente por supercarros.
Senna teve automóveis nacionais comuns em sua juventude, passou por esportivos compactos e sedãs de alto desempenho e, quando já era uma estrela mundial, manteve uma preferência curiosamente prática por station wagons.
A presença da Ford Belina, Mercedes-Benz 300 TE e Audi S4 Avant em diferentes períodos chama atenção.
No caso das peruas mais recentes, existe uma explicação confirmada pela própria família: Ayrton precisava de espaço para transportar seus aeromodelos.
Ao mesmo tempo, carros como Mercedes-Benz 190 E 2.3-16, Porsche 911 e Honda NSX mostram seu interesse por automóveis nos quais engenharia, comportamento dinâmico e desempenho tinham papel central.
Curiosidades sobre os carros de Ayrton Senna
Senna venceu grandes campeões com um carro praticamente igual ao deles
Na corrida de inauguração do novo Nürburgring, em 1984, os participantes receberam Mercedes-Benz 190 E 2.3-16 preparados de maneira praticamente idêntica.
O jovem Senna venceu um grid repleto de campeões e nomes consagrados.
O primeiro carro não permaneceu original
Seu Corcel II recebeu alterações de suspensão, acabamento e aparência. O episódio mostra um jovem Ayrton interessado em personalização automotiva antes da fama na Fórmula 1.
O famoso Escort prata não era simplesmente “um carro comprado por Senna”
Há relatos de que o automóvel estava cedido pela Ford em regime de comodato. Esse detalhe frequentemente desaparece nas listas sobre a garagem do piloto.
A placa do Honda NSX virou parte da história do carro
BSS-8888 é provavelmente uma das placas brasileiras mais conhecidas entre entusiastas.
Além da associação com “Beco Senna da Silva”, o número 88 remete ao primeiro título mundial de Ayrton.
O Porsche português conservou uma ligação física com Senna
O 911 Carrera Cabriolet associado ao piloto mantém uma assinatura atribuída a Ayrton em seu interior e possui documentação de procedência que ajudou a preservar sua história.
Senna realmente interferiu no desenvolvimento do Honda NSX
Essa não é apenas uma lenda repetida por fãs.
A própria Honda registra que Ayrton testou um protótipo em Suzuka e criticou sua rigidez. A avaliação levou a equipe de engenharia a elevar suas metas estruturais durante o desenvolvimento.
A preferência pelas peruas tinha uma razão prática
Ayrton era apaixonado por aeromodelismo. Mercedes-Benz 300 TE e Audi S4 Avant ofereciam espaço para transportar os aviões de controle remoto.
Seu último Audi apontava para o futuro da marca no Brasil
A S4 Avant não foi apenas um carro pessoal. Ela estava diretamente relacionada à operação comercial que introduziria oficialmente a Audi no mercado brasileiro por meio da Senna Import.
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Ayrton Senna, Honda NSX e Audi S4: os carros preservados no Brasil
Dois dos automóveis mais emblemáticos ligados aos últimos anos do piloto permaneceram preservados: o Honda NSX preto BSS-8888 e a Audi S4 Avant.
Isso é particularmente importante do ponto de vista histórico.
Automóveis pertencentes a personalidades famosas frequentemente passam por vários proprietários, recebem modificações ou simplesmente desaparecem. Quando um veículo permanece ligado à família e conserva suas características, sua importância documental aumenta consideravelmente.
No caso de Senna, esses carros funcionam quase como cápsulas do tempo do começo da década de 1990.
Uma coleção difícil de definir — e justamente por isso tão interessante
Falar em “coleção de Ayrton Senna” exige certa cautela.
Ayrton viveu entre Brasil e Europa, tinha relações comerciais com fabricantes e recebia automóveis para utilização pessoal. Alguns veículos estavam em seu nome; outros eram cedidos pelas marcas ou registrados por amigos próximos.
Por isso, dificilmente existe uma única lista definitiva contendo todos os Ayrton Senna carros com documentação de propriedade equivalente.
O mais correto é falar em automóveis comprovadamente pertencentes, cedidos ou disponibilizados para uso pessoal do piloto.
Essa diferença pode parecer pequena, mas é fundamental para preservar a precisão histórica.
Conclusão
Os carros de Ayrton Senna contam uma história muito mais rica do que uma simples coleção de máquinas caras.
O Ford Corcel II personalizado mostra o jovem apaixonado por automóveis antes da fama. Belina e Passat TS acompanham uma fase anterior à carreira internacional. O Escort XR3 representa sua crescente exposição no Brasil, enquanto o Mercedes-Benz 190 E 2.3-16 conecta sua garagem a uma das apresentações mais famosas de sua juventude.
Porsche 911 e Honda NSX mostram seu contato com alguns dos grandes esportivos das décadas de 1980 e 1990. No caso do NSX, a relação foi ainda mais profunda, pois sua avaliação teve influência comprovada no desenvolvimento do carro.
Mercedes-Benz 300 TE e Audi S4 Avant revelam outra característica menos conhecida: Senna gostava de peruas e valorizava o espaço necessário para transportar seus aeromodelos.
Por fim, a S4 também representa um projeto que ultrapassava a garagem. Ayrton participava diretamente da chegada oficial da Audi ao Brasil e já planejava dirigir modelos como RS2 Avant e A8.
Mais de três décadas depois, os carros do Senna continuam sendo estudados, preservados e negociados como peças históricas. E quanto mais se investiga sua trajetória, mais fica evidente que a relação de Ayrton com o automóvel não terminava quando ele saía do cockpit de um Fórmula 1.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Quais carros Ayrton Senna teve?
Entre os carros comprovadamente ligados ao uso pessoal de Senna estão Ford Corcel II, Ford Belina, Volkswagen Passat TS, Ford Escort XR3, Mercedes-Benz 190 E 2.3-16, Mercedes-Benz 300 TE, Porsche 911 Carrera Cabriolet, Honda NSX e Audi S4 Avant. Alguns foram de sua propriedade, enquanto outros eram cedidos ou disponibilizados para seu uso.
2. Qual foi o primeiro carro de Ayrton Senna?
Segundo Leonardo Senna, o primeiro carro de Ayrton foi um Ford Corcel II. O piloto modificou o veículo, pintando partes cromadas de preto, rebaixando a suspensão e instalando itens como teto solar de lona e vidros verdes.
3. Ayrton Senna teve um Honda NSX?
Sim. Senna teve um Honda NSX preto para uso no Brasil, conhecido pela placa BSS-8888, e utilizou outros exemplares na Europa. Um NSX vermelho foi disponibilizado pela Honda em Portugal. O piloto também participou do desenvolvimento do modelo, realizando avaliações para os engenheiros da fabricante japonesa.
4. Ayrton Senna teve Porsche?
Sim. Senna utilizou um Porsche 911 Carrera Cabriolet de 1987 em Portugal. Embora registrado em nome de seu amigo Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, há documentação relacionando o automóvel ao uso pessoal do piloto. O carro sobreviveu e voltou ao mercado de colecionáveis décadas depois.
5. Qual foi um dos últimos carros de Ayrton Senna?
Um dos últimos e mais documentados foi a Audi S4 Avant prata utilizada no Brasil entre 1993 e 1994. Senna também havia solicitado uma Audi RS2 Avant e um Audi A8, mas morreu antes de poder utilizar esses dois modelos.
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